Ai! Se eu te visse no calor da sesta, a mão tremente no calor das tuas, amarrotando o teu vestido branco, soltos os cabelos nas espáduas nuas!...
Ai! Se eu te visse, Madalena pura, sobre o veludo reclinada a meio, olhos cerrados na volúpia doce, os braços frouxos - palpitante o seio!...
Ai! Se eu te visse em languidez sublime, na face as rosas virginais do pejo, trêmula a fala a protestar baixinho...
Vermelha a boca, soluçando um beijo!...
Diz- que seria da pureza de anjo, das vestes alvas, do candor das asas ?
Tu te queimaras, a pisar descalça, Criança louca, sobre um chão de brasas!
No fogo vivo eu me abrasara inteiro! Ébrio e sedento na fugaz vertigem vil, machucara com meu dedo impuro As pobres flores da grinalda virgem!
Vampiro infame, eu sorveria em beijos toda inocência que teu lábio encerra, e tu serias no lascivo abraço anjo enlodado nos pauis da terra. Depois...
Desperta no febril delírio, olhos pisados como um vão lamento, tu me perguntaras: que da minha coroa ?... Eu te diria: - desfolhou-a o vento!...
Oh! não me chames coração de gelo! Bem vês: traí-me no fatal segredo. Se de ti fujo é que te adoro e muito, És bela eu moço; tens amor, eu medo!...
[Autor: Desconhecido - Lido: 2037 Vezes - Categoria: Amor ]