Deixa a noite vir que é só mais uma.
Maior é cada instante que não passa
e a certeza do mais nada na espera.
A fuga em cada riso que eu invento
num olhar contando os pingos da vidraça.
Um quê a me acusar da minha culpa,
seguida da desculpa
frágil como o vento.
Somente as espirais por companhia
e um vinho esquecido a meio-copo,
tinto quanto eu
e amargo o tanto quanto.
O peito no compasso do soluço.
O peito soluçando em descompasso.
Os restos dos abraços
- fantasmas do meu quarto -
rondando-me na sala.
Lá fora quer entrar a madrugada
e a calma que trazia hoje é nenhuma.
E já que tudo é nada,
deixa a noite ir que é só mais uma.
[Autor: Manholler - Lido: 429 Vezes - Categoria: Poemas]
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